Olá, pessoal.
Sou a Nana Tagarela e há 10 anos passamos na minha família por uma experiência muito difícil que foi o câncer infantil no meu irmão.
Hoje, ele está 100% curado e já é um homem bastante saudável. Como estamos no mês do “setembro dourado”, resolvi compartilhar com vocês dois relatos feitos pelos pontos de vistas da minha mãe e do meu irmão em homenagem a todas as mamães e filhos que passam por esta dificuldade atualmente. Espero que gostem.
Relato da mãe Bernadete Coutinho:
“Todos nós passamos por experiências difíceis em nossas vidas, mas nunca desejamos imaginar que uma doença, ainda nos dias de hoje, seja vista como verdadeiro ‘bicho papão’, bata à nossa porta.
Ao descobrir o câncer do meu filho fiquei sem chão. Por desconhecimento de causa, me senti sem reflexos e não sabia o que fazer. Entretanto, o choque da descoberta se transformou em desejo de superação aos 2 anos de luta que tínhamos pela frente.
Nunca vi meu filho como um ‘condenado à morte’, mas como uma criança que passava por uma enfermidade grave. Precisava de muito apoio para ajudá-lo a superar aquele momento ‘novo’ em sua vida.
Do desconhecimento ao medo e a garra de lutar, muitas etapas fomos ultrapassando juntos a ele. Sempre com a certeza de que não estava sozinha e que toda dor vem com um propósito: o do crescimento pessoal para todos.
Entre consultas médicas, biópsias e cirurgias, tudo parecia sem fim. A realidade fria dos médicos se chocava com a esperança que brotava dentro de mim, e, com a certeza que deveria ser guerreira para lutar contra um inimigo diligente e traiçoeiro que caminhava muito rápido em curtíssimo tempo.
Ao longo do tratamento vi e sofri por muitas crianças que sucumbiram e pelo olhar vazio dos pais que ficavam órfãos de seus pequenos. Ainda assim, eu dizia: ‘hoje é mais um dia de vida'; ‘hoje ele superou mais um prognóstico médico’ e assim foi…
Não posso deixar de relatar o apoio recebido de muitos amigos e parentes que nos ajudaram a superar os dias mais difíceis do tratamento, mesmo quando os médicos diziam que as chances eram ínfimas. Entretanto, nunca perdemos a nossa fé. Sempre dizia uma frase para meu filho: “Você está doente; não é doente”. Isto significava que a dor passaria e que o sol voltaria a brilhar dentro dele. Contudo, sabíamos que uma etapa de sua vida estava ”paralisada”. Este menino havia acabado de completar 11 anos quando descobrimos o câncer ósseo: sarcoma de Ewing de rádio esquerdo e aos 13 anos estávamos comemorando a sua vitória.
Agradeci a Deus, de joelhos, aos médicos e aos enfermeiros por toda a dedicação. A luta ainda não havia terminado, pois ao término da cirurgia, em que conseguiram extirpar o câncer , havia um ano a mais de quimioterapia. Semanas e mais semanas e longas horas de medicação, mas ele sempre sorridente e confiante que não teria uma recidiva, ou seja, um retorno à doença.
Hoje, 2015, faz 9 anos que Pietro, meu grande guerreiro, está livre da doença, completamente curado, faltando alguns meses para formar-se em Publicidade e com muitos planos para sua vida que segue. Com uma mente privilegiada e um coração generoso a vida para Pietro é fugaz. O tempo é sempre seu aliado e muitas vezes se torna um grande desafiador em que se propõem a fazer.
Peço sempre a Deus por todos os pais que passaram por este problema ou que estejam em processo do mesmo, que possam ter muita força e coragem. Acreditem que o ‘sol nosso de cada’ dia jamais deve deixar de brilhar através da Esperança e que por pior que seja o seu problema ‘isto também passa’.”
Relato do filho Pietro Nóbrega:
“Não entendia muito bem o que estava acontecendo no início, mas eu tinha uma certeza: que eu ficaria bem.
Em momento algum pensei que algo daria errado ou que alguma coisa ruim fosse acontecer durante o tratamente. Afinal de contas, se estamos doentes os remédios nos deixam bem se tomarmos direito, certo? E foi assim que pensei a todo momento.
Para mim, a doença que meus pais viam com tanto temor, era algo normal como uma gripe, e eu sabia que se eu me esforçasse o bastante para querer ficar bom, uma hora eu estaria fazendo tudo o que gosto de novo.
Vivi minha vida normalmente dentro daquilo que eu poderia fazer. É claro, havia aqueles dias em que eu ficava um pouco mais debilitado e o repouso se fazia necessário. Mas em geral, eu estava sempre brincando, andando de skate ou passeando.
Eu só estava doente, era algo que eu sabia que iria passar, não queria olhares piedosos do tipo que dizem “talvez ele não consiga sobreviver”, porque no meu íntimo eu sabia que eles estariam errados.
O grande segredo para passar por tudo isso é viver a vida como gostaríamos de viver… na verdade, acho que esse é o grande segredo de ser feliz.”






