Em grande parte das sociedades ocidentais, por muito tempo a mulher ficou com as obrigações de casa e dos filhos. Seguimos acreditando que nosso papel no mundo era somente gerar filhos e cuidar deles. No começo do século XIX, algumas mulheres com boa formação acadêmica começaram a se destacar ganhando prêmios Nobel e fazendo novas descobertas científicas.
A partir dos anos 60, do século XX, esse papel limitante da mulher na sociedade começou a ficar insustentável. Inúmeras mulheres começaram a questionar socialmente seu papel e sua existência. Queimamos sutiãs, fomos para as ruas, queríamos trabalhar, estudar, decidir sobre nossos corpos. Essas transformações não tinham mais volta, as mulheres foram conquistando aos poucos seu espaço com o direito a voto, com o mercado de trabalho, na política, na filosofia e na ciência.
Porém as atividades que exercíamos antes, não foram repensadas e dividas com os homens (menos a geração dos filhos e a amamentação que é biologicamente impossível!). Simplesmente assumimos todas as tarefas: ser mãe, dona de casa, profissional e estudante (que cada vez mais se qualifica para o mercado de trabalho). Aí sentimos o peso. A maioria de nós concorda – é um sobrepeso dar conta de todas essas tarefas e ainda ser mulher, esposa, estar linda e bem disposta.
Começamos a nos questionar sobre o assunto e chegamos a conclusão que precisávamos de ajuda, precisávamos dividir as tarefas com os parceiros em casa também. Afinal, se existem mulheres que ajudam a sustentar um lar, muitas vezes sustentam sozinhas ou grande parte das despesas, ainda teriam que dar conta de todo o resto?
Mesmo esse assunto em debate e vendo a mudança gradual de muitos homens pela educação transformadora dada por pais conscientes pela igualdade de gênero, nós mulheres, ainda damos “conta do recado”, muitas vezes sozinhas ou com certa ajuda. Acredito que tenhamos desenvolvido certa habilidade de dar conta de muitas coisas ao mesmo tempo: cuida do filho enquanto faz almoço, fala ao telefone enquanto lava a louça, trabalha enquanto o filho está brincando ao seu arredor pedindo atenção.
Por isso mesmo merecemos o título de mulher maravilha! Conseguimos dar conta de tudo e ainda estar linda, de unha feita, com bom humor (na maioria das vezes). Não que gostaríamos de ter todo esse trabalho nas nossas costas, mas muitas vezes ele é inevitável (viagens do marido a trabalho, trabalho em maior quantidade de horas do homem justamente por não gerar e amamentar, a mulher abrindo mão parcialmente ou totalmente de sua carreira e etc).
Somos fortes, guerreiras, não podemos nem ficar doentes, temos mil atividades diárias, cuidamos da casa, dos filhos, estudamos, trabalhamos e ufaaa muitas vezes temos o companheiro em casa nos cobrando disposição e a sociedade nos cobrando magreza no pós parto, felicidade diária, feminilidade e beleza.
Sabemos que a mentalidade da sociedade (aqui eu falo da sociedade brasileira) está sofrendo uma transformação lenta e gradual nesse quesito, mas ainda estamos longe do ideal, que seria a valorização igualitária de ambos os sexos, divisão das tarefas domésticas e com os filhos de forma mais igual possível não sobrecarregando nenhuma das partes.
Enquanto isso, continuamos com o nosso título que não poderia ser melhor – o de MULHER MARAVILHA!






